Estréia do circuito 2008 do Noitão HSBC Belas Artes – “Mistérios e Mentiras”
O HSBC Belas Artes programou para o seu Noitão inaugural de 2008, nesta sexta-feira (11 de janeiro) , a partir da meia-noite, um trio de filmes muito diferentes entre si, porém com pontos em comum: mistérios e mentiras.
Com exceção do filme-surpresa (revelado somente no momento da projeção) os demais são inéditos em circuito brasileiro. Um deles é A Quase Verdade, uma comédia romântica francesa dirigida por Sam Karmann e com elenco de primeiríssima linha, reunindo nomes como André Dussolier, Karin Viard e François Cluzet.
O alto nível da seleção prossegue com Paranoid Park, desde já candidato a cult movie, e que traz a assinatura do sempre inventivo Gus Van Sant, novamente se aventurando no universo da adolescência, depois do ótimo Elephant, com o qual ganhou a palma de ouro em Cannes.
A primeira coisa que digo é: Puta que o pariu! Como tava cheio aquela budega!
Chegamos pouco antes das 23h15 para comprar os ingressos e a fila já dobrava a Av. Paulista e se perdia no horizonte. Como é mal organizado! E quanta gente a toa! Quase 0h e ainda estávamos longe da bilheteria, sendo que a Sala que estava passando o “A Quase Verdade” já estava terrivelmente cheia. Resolvemos assistir primeiro o “Paranoid Park” pra depois assistir “A Quase Verdade”
Paranoid Park é um filme cult, ou seja, não faz muito sentido à primeira vista. Quem assistiu “Elephant“, perceberá que o filme segue a mesma ‘essência’, isto é, longos momentos de silêncio, sons, sons e mais sons e poucos diálogos. Um convite ao sono, ou a comentários surreais do tipo ‘MEEEEEEEEU, eu assistiria 3 vezes esse filme’, ou pior, ‘ESSE FILME É SENSACIONAL, É A TERCEIRA VEZ QUE EU ASSISTO’, que ecoavam das poltronas logo atrás. O filme vale a pena ser assistido, mas eu gostei mais porque tinha espaço pra eu esticar as pernas na sala. O duro era uma menina que dava risada várias vezes durante o filme, sendo que a maior parte das cenas NÃO tinha graça nenhuma. Eram tristes, ou sinistras, melancolicas, talvez. Comentei que ela devia estar rindo da legenda, por que a tradução não era das melhores, mas isso não convenceu. Acharam que a menina era Autista por opção mesmo.
Pausa. Café, café, coca-cola e baldão de pipoca! Fila pra entrar, pra sair da sala, pra ir ao banheiro, pra comprar coisas, pra tudo. Pessoas baforando seus cigarros no local totalmente fechado e com ar condicionado ligado. Havia dois caixas, mas quando saímos da sala, apenas 1 funcionava, com aquela fila imensa que te desanimava. Mas, como nem tudo na vida é azar, o caixa à minha frente abriu e compramos as coisas sem fila… e o mais curioso é o fato de que o povo estava tão acostumado com as filas, que não reparou que o outro caixa também estava aberto (e sem fila). Filas são legais, devo dizer. Conversa-se sobre tudo e sobre nada, troca-se opiniões sobre coisas aleatórias, mantém-se um nível sadio de sociabilidade. Mas fila de mostra internacional de cinema e desses eventos, digamos, alternativos, é foda.
Tá certo que os comentários de hoje não superaram os da Mostra, mas foram quase.
Segundo filme: entramos na sala vazia, escolhemos lugares, sentamos e comemos pipoca e bebemos café quente sem açúcar. Não há nada que se compare a comer pipoca com café quente sem açúcar. Dois minutos depois a sala começou a encher, encher e inchou. Não havia lugares pra todos. Vários sentaram-se no chão, na escadinha, em qualquer cantinho disponível… típico de festivais.
“A quase verdade” que seria uma comédia francesa, e mais fácil de se entender, por assim dizer… não deu pra entender nada. Eu acho que apaguei umas 30 vezes durante o filme, sendo acordado com muita dificuldade quando o povo dava risadas. E não tinha espaço pra esticar as pernas! Duro… a maioria que vai a esses negócios, não trabalha. Ficou muito óbvio, afinal, acordar as 6h pra trabalhar 8h do dia e depois ainda pegar sessão de cinema das 0h às 6h, sem dormir é foda.
Resolvemos não assistir o filme-surpresa (o hotel de um milhão de dólares) e sim, passear pela pauliceia desvairada às 4h e curtir o restinho da noite. Aliás, vamos aproveitar que o dia amanhece um pouquinho mais tarde!
Esse tipo de programa deve ser feito uma vez na vida, mesmo!